O sociólogo italiano Domenico De Masi, autor dos livros “O futuro do Trabalho” e “O ócio criativo” é considerado uma sumidade nos temas relacionados às ciências organizacionais. As idéias inovadoras propostas pelo autor vão de encontro com os antiquados modelos da atual estrutura do processo de trabalho adotado pelas empresas. Em pleno século XXI, com as máquinas e todo arsenal tecnológico disponível, ainda hoje, se produz como no século XIX. Espaços aonde o tempo de trabalho é cronometrado e a burocracia ainda reina soberana em meio à crescente competitividade do mercado. Com a correria do dia a dia, o empresário esquece-se dos ganhos tangíveis que ainda continuam intangíveis em meio à revolução virtual do trabalho. Os bens tangíveis consistem no fato de que se consegue produzir mais bens e serviços com menor esforço físico, menos stress intelectual, mais consciência sócio-ambiental e qualidade de vida. Você já se perguntou por que a grande maioria dos trabalhadores acordam todos os dias logo no inicio da manhã, embarcam em meios de transportes poluentes e seguem em direção a imensos engarrafamentos? Algumas horas depois deste stress matinal, batem o ponto, e dentro da empresa consomem energia elétrica, papel, trabalham, jogam conversa fora, consomem energia, gastam mais papel e voltam para suas residências montado em meios de transportes poluentes, vitimas de mais um engarrafamento. Por quê? Por que gastar horrores em uma construção imponente para sediar sua empresa se as maravilhas tecnológicas do mundo pós-moderno nos permite trabalhar no aconchego de nossos lares? Não sei você mas eu prefiro fazer meu horário de trabalho. Tem gente de não produz nada de manhã. Fica que nem um zumbi na frente do computador pensando na morte da bezerra. Aí a tarde ele tira o atraso, produz igual “chuchu na serra”. Caso este pobre funcionário não lide diretamente com atendimento presencial ao público, nada mais inteligente que deixar ele dormir até as dez da manhã, acordar, ler o jornal, tomar café, sair pra passear com cachorro, brincar com o filho (antes do guri ir pra escola), depois trabalhar. A empresa só precisaria agendar uma reunião semanal para definir metas e feedbacks. O resto é por conta do profissional. Não quero sabe se ele chega na empresa religiosamente as 06:59 da manhã, eu quero é que ele faça o que tem que fazer, se ele vai fazer as três da tarde ou as três da madrugada, não me importa, só quero que ele faça bem feito. Para os “workaholics” de plantão, que não agüentam ficar longe do ar condicionado e cafezinhos, disponibilizamos uma dúzia de computadores e linhas telefônicas para serem utilizados na empresa, mediante agendamento prévio no RH, claro. Afinal, o que nos queremos é que ele sinta-se bem, em casa ou no trabalho, onde ele quiser, por que só assim ele produzirá mais, ficará mais feliz e valorizará mais a empresa. Pesquisas mostram quem o funcionário padrão dos dias de hoje gasta de três a quatro horas do dia para realizar o trabalho que lhe compete, o resto é conversa na cantina, cigarro, idas ao banheiro, etc. Outra informação bastante relevante é que 90% das novas idéias criadas pelo ser humano surgem em momentos de ócio. Ou você acha que aquela maça que caiu na cabeça do Isaac Newton quando ele descobriu a gravidade, caiu quando ele estava despachando no escritório? Por que será que os escritórios de empresas inovadoras como a Google e a Microsoft disponibilizam na empresa: mesa de sinuca , academia de ginástica e vídeo-games? Com certeza não é para os funcionários produzirem menos, é? Agora imagine o dinheiro que seria economizado com contas de luz, água, telefone, alugueis, etc… imagine a quantidade de c02 que deixaria de ser emitido pelos automóveis… nada mais justo que aumentar um pouco salário do empregado, afinal ele está gastando recursos próprios. Como diria o tio Obama: “Esse Domenico de Mais é o cara”. Vamos lá minha gente, o mundo é plano, a distância morreu, ta na hora de mudar, ta na hora de inovar!